segunda-feira, 28 de julho de 2014

ASTROLOGIA OU ECONOMIA?






Existia uma piada sobre os economistas nos anos 80 no CRUSP, que assim dizia:
“Se quiserem saber de futurologia, não procure um economista, mas sim o astrólogo”, os estudantes de economia que por acaso um era meu vizinho dos 408 do C era o que mais achava graça e ria, como uma sábia e inteligente economista da FEA_USP.
Hoje ele ganha seus merecido dinheiro trabalhando para um grande banco e se não pode prever o futuro pode sim, através de ataques especulativos e subservientes do capitalismo central, fazer o futuro acontecer.
A política econômica de Dilma está corretíssima e nossas reservas em dólares e o investimento do BNDES no crescimento do mercado interno é a solução.
E que deixemos os astrólogos e os bruxos com suas profecias apocalípticas.

João do Gueto

ASTRoLOGIA OU ECONOMIA?

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Como comprova a própria ciência, a razão e o método, nós somos capazes de prever o futuro.

http://hypescience.com/nosso-cerebro-e-capaz-de-prever-o-futuro-proximo/


Aos pseudos marxistas mas que na verdade são weberianos, nada contra, mas que nunca reneguem o que escreveram um dia, pois como  disse  há muito tempo na FFLCH-USP, lá pelos  idos dos anos 80, meu grande mestre e guru, Florestan Fernandes:
" Eu tive um brilhante e inteligentíssimo aluno de mestrado mas não sou responsável por o que os meus discípulos fazem ou muito menos escrevem.
Tenham todos um ótimo dia!



Habermas e a teoria do agir comunicacional
Habermas, filósofo alemão da Escola Crítica de Frankfurt, nascido em 1929, entende a racionalidade de forma holística: recusa separá-la em dois continentes, o formal e o substancial. Nesse sentido, critica Max Weber.

«O potencial racional comunicativo é simultaneamente desenvolvido e alterado no decorrer da modernização capitalista. »

«A simultaneidade e a interdependência paradoxais dos dois processos só é possível quando se vencer a falsa alternativa que Max Weber estabeleceu entre racionalidade substancial e formal. Parte-se aqui do princípio de que o desencantamento (Entzauberung) de imagens religiosas e metafísicas do mundo da racionalidade juntamente com os conteúdos das tradições, rouba todas as conotações de conteúdo e assim também todas as forças para, além da organização teleologicamente racional dos meios, poder ainda exercer uma influência estruturante no mundo da vida. Em oposição a isto gostaria de insistir em que a razão comunicacional, apesar do seu carácter puramente processual, aliviado de todas as hipotecas religiosas e metafísicas, está directamente implicada no processo de vida social e que os actos de compreensão tomam conta dos actos de um mecanismo coordenador da acção. O tecido de acções comunicativas alimenta-se de recursos do mundo da vida e é, ao mesmo tempo, o médium através do qual se reproduzem as formas de vida concretas.»  (Jürgen Habermas, O Discurso Filosófico da Modernidade, Publicações Dom Quixote, pag 292; o negrito é posto por nós).


Habermas sublinha igualmente o carácter circular do agir comunicacional:

«Na teoria do agir comunicacional o processo circular, que encerra o mundo da vida e a praxis comunicativa quotidiana, ocupa o lugar de mediador que Marx e o marxismo ocidental tinham reservado à praxis social.»  (Habermas, ibid, pag 293; o destaque a negrito é nosso).

E sustenta que a razão comunicacional não elimina o erro mas partilha-o, socializa-o, do mesmo modo que partilha e socializa a verdade rectificadora.

«A razão comunicacional faz-se valer na força de coesão dacompreensão intersubjectiva e do reconhecimento recíproco. No seio deste universo não é possível separar o irracional do racional do mesmo modo que, em Parménides, é separado o não-saber daquele saber que domina, como simplesmente afirmativo, sobre o que é o nada. Na sequência de Jakob Böhme e de Isaac Luria, Schelling afirma com razão que o erro, o crime e a ilusão não são irracionais mas simmanifestações da razão às avessas.»  (Habermas, ibid, pag 299; o negrito é nosso).


A noção de praxis é reinterpretada por Habermas. Muito mais do que um agir instrumental, a praxis é um agir comunicacional que produz saber que permite transformar o mundo.


«Quando se reformula o sentido de praxis no sentido de agir comunicacional com o auxílio deste conceito de língua, as marcas universais da prática não se limitam só ao “legein” e “teukein”, isto é, às condições (que precisam de interpretação) para o contacto com uma natureza que se encontra no circuito de funções do agir instrumental. A praxis opera então muito mais à luz da razão comunicacional que impõe aos participantes na interacção uma orientação para as exigências de validação tornando assim possível uma acumulação de saber quetransforma o mundo.» (Habermas, ibid, pag 307).

Embora recolhendo o contributo de Marx, Habermas diverge deste no conceito de praxis social. Entende esta não como actividade produtiva material mas como a interacção circular entre o mundo da vida,dividido em cultura, sociedade e pessoa, e o agir comunicacional

«Nem mesmo Marx escapou ao pensamento da totalidade de Hegel. Isto altera-se se a praxis social não for mais pensada socialmente como processo de trabalho.»

 «Com os conceitos que se complementam reciprocamente do agir comunicacional e do mundo da vida é introduzida uma diferença entre determinações que- diferentemente da diferença entre trabalho e natureza - não reaparecem como momentos numa unidade superior. É certo que a reprodução do mundo da vida se nutre de contribuições do agir comunicacional, enquanto que este depende por sua vez do mundo da vida. Este processo circular não deve representar-se segundo o modelo da autocriação como uma produção a partir dos seus próprios produtos, nem mesmo associado à auto-realização. » (Habermas, ibid, pag 314).